A cirurgia bariátrica é, para muitos pacientes, um divisor de águas. Mas ela não é — e nunca deveria ser tratada como — a primeira ou única opção diante da obesidade. Com as novas diretrizes do CFM publicadas em 2025, o critério de indicação também ficou mais amplo e mais criterioso ao mesmo tempo, priorizando o risco metabólico real de cada paciente.
O que mudou com a Resolução CFM nº 2.429/2025
A nova resolução ampliou as indicações para pacientes com IMC entre 30 e 35 associado a comorbidades relevantes, além de formalizar critérios específicos para adolescentes em situações bem definidas. Um ponto central da atualização: a decisão passou a considerar mais fortemente o risco metabólico do paciente, e não apenas o número isolado do IMC.
Quando a cirurgia bariátrica é indicada
De forma geral, e sempre respeitando a avaliação individual, os critérios envolvem:
- IMC igual ou superior a 40 kg/m², independentemente de comorbidades
- IMC entre 35 e 40 kg/m² associado a comorbidades como diabetes tipo 2, hipertensão ou apneia do sono
- IMC entre 30 e 35 kg/m², em situações específicas, com risco metabólico elevado e falha comprovada de tratamento clínico prévio
- Tentativas anteriores de tratamento clínico bem conduzido sem resposta adequada
A decisão pela cirurgia não deve se basear apenas no IMC. A gordura visceral — acumulada ao redor dos órgãos — é mais perigosa que a gordura periférica, e sua avaliação faz parte de uma análise clínica completa antes de qualquer indicação cirúrgica.
A cirurgia é uma ferramenta — não um atalho
Um dos maiores equívocos sobre a cirurgia bariátrica é achar que ela "resolve" a obesidade sozinha. Na realidade, ela reduz fisicamente a capacidade do estômago e/ou altera a absorção intestinal — criando uma janela metabólica favorável que precisa ser sustentada por mudanças reais de hábito, acompanhamento nutricional rigoroso e, com frequência, suporte psicológico contínuo.
Sem esse acompanhamento pós-cirúrgico, é possível reganhar peso mesmo após a cirurgia — e é exatamente por isso que a decisão cirúrgica deve fazer parte de um plano de tratamento maior, nunca de uma decisão isolada.
O que vem depois da cirurgia
O pós-operatório envolve fases bem definidas de reintrodução alimentar, suplementação nutricional (frequentemente vitalícia, dado o risco de deficiências), acompanhamento de exames laboratoriais periódicos, e suporte para lidar com mudanças físicas e emocionais — incluindo, em muitos casos, cirurgias plásticas reparadoras posteriores, uma demanda que cresce proporcionalmente ao aumento de cirurgias bariátricas no país.
"A cirurgia abre a porta. Quem sustenta o resultado é o acompanhamento médico contínuo depois dela."
Antes de decidir
Se você já tentou tratamento clínico sem sucesso e está considerando a cirurgia, o passo mais importante é uma avaliação médica completa e honesta — que analise não apenas se você se enquadra nos critérios, mas se essa é, de fato, a melhor estratégia para o seu caso específico, dentro de um plano de acompanhamento de longo prazo.