Ozempic e Mounjaro dominam as buscas sobre emagrecimento no Brasil — o país é hoje o segundo que mais pesquisa por esses termos no mundo. Mas a decisão entre um e outro não deveria ser feita com base em quem "está famoso" nas redes sociais. Existe ciência real por trás dessa escolha, e ela precisa ser conduzida por um médico.
O mecanismo por trás de cada um
A semaglutida (Ozempic, Wegovy) atua sobre um único receptor hormonal, o GLP-1, responsável por sinalizar saciedade ao cérebro, desacelerar o esvaziamento do estômago e melhorar a resposta à insulina.
A tirzepatida (Mounjaro) age sobre dois receptores — GLP-1 e GIP. O GIP potencializa ainda mais a ação sobre o apetite e parece ter um papel relevante na forma como o corpo utiliza a gordura como energia. Essa dupla ação é a razão pela qual estudos têm mostrado, em média, uma perda de peso um pouco maior com tirzepatida — dados do mercado brasileiro no último trimestre de 2025 mostram a tirzepatida já respondendo por 57% das vendas de medicamentos GLP-1 no país, ultrapassando a semaglutida.
Comparando os dois, ponto a ponto
| Aspecto | Semaglutida (Ozempic/Wegovy) | Tirzepatida (Mounjaro) |
|---|---|---|
| Mecanismo | Receptor GLP-1 | Receptores GLP-1 + GIP |
| Perda de peso média em estudos | Relevante | Ligeiramente superior, em média |
| Efeitos colaterais | Náusea, constipação, refluxo | Perfil semelhante, mesma classe de cuidados |
| Tempo de mercado | Mais estabelecido | Mais recente, em expansão |
"Mais eficaz em média" não significa "melhor para você". Resposta a esses medicamentos varia por perfil metabólico, comorbidades, histórico de doenças da tireoide e pâncreas, e objetivos do tratamento. Só uma avaliação individual determina qual — ou se algum — é indicado.
Por que a escolha não deve ser feita sozinho
Ambos os medicamentos são contraindicados em determinadas condições, como histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular de tireoide, pancreatite prévia, e exigem cautela em pacientes com doenças gastrointestinais. Além disso, o ajuste de dose — começando baixo e subindo progressivamente — é o que reduz efeitos colaterais como náusea intensa, vômitos e desidratação.
Escolher "o mais forte" sem considerar esse contexto pode significar mais efeitos colaterais sem benefício adicional real para o seu caso específico.
"A pergunta certa não é qual caneta é mais forte. É qual tratamento é certo para o seu corpo."
O papel do acompanhamento médico na escolha
No consultório, a decisão entre semaglutida e tirzepatida considera o grau de obesidade, comorbidades associadas (diabetes, hipertensão, apneia do sono), histórico de saúde, resposta esperada e, claro, também fatores práticos como disponibilidade e custo — ambos exigem uso contínuo, muitas vezes por período prolongado, dentro de um plano de acompanhamento maior.